Recado do morro _ Guimaraes Rosa

13. RECADO DO MORRO de Guimarães Rosa

- Modernismo do Brasil

Um grupo de cinco pessoas inicia viagem em direção ao Norte de Minas. Participam dessa comitiva três pessoas importantes e dois vulgares sertanejos. Entre os importantes estão: seo Alquiste, estrangeiro, que, pelas anotações e constantes perguntas, parece ser um pesquisador; seo Jujuca, fazendeiro, filho de fazendeiro, homem estudado, fazendo o papel de cicerone do estrangeiro; e frei Sinfrão, tipo de frade folgado, boa paz e boa vida, que fuma e reza com a mesma simplicidade e naturalidade sadias. Os acompanhantes, espécie de criados contratados, são o enorme e namorador Pedro Osório e o enciumado Ivo Crônico, que disfarça sua raiva de Pedro, para melhor alcançar seu desejo de vingança. Passam por Cordisburgo e visitam a Gruta de Maquiné. Durante a viagem, tanto na ida quanto na volta, vários avisos premonitórios da ameaça de traição que paira sobre Pedro são transmitidos através de loucos variados: inicialmente pelo ermitão Gorgulho, que ouviu o recado do morro; depois seu irmão Catrás, que reconta o que ouvira do irmão; em seguida pela conversa de Joãozezim e Guégue a que ninguém deu atenção; posteriormente pelo fanático Jubileu ou Nominedomine, que reinterpreta o que ouviu do papudo Guégue e, finalmente, pelo doido Coletor que inspira o poeta-cantador Laudelim, que compõe e canta uma cantiga de jeito medieval que alerta Pedro para o perigo. Pedro vence seus inimigos e foge para a sua terra.

O recado do morro conta os sete estágios de composição de uma mensagem que salvará Pedro Orósio da morte. O alemão Alquiste organiza uma expedição, com um grupo de homens da cidade, para recolher dados sobre a flora, a fauna e a geologia do sertão. O grupo é guiado pelos sertanejos Ivo de Tal e Pedro Orósio, o Pê-Boi. Durante a viagem, recebem um recado a respeito de uma morte à traição, porém de modo truncado e incompreensível. O recado passa do velho Gorgulho a Catraz, daí ao menino Joãozezim que passa ao Guengue. O aviso é transmitido ao louco Nominedômine e daí a outro louco, até ser apropriado pelo poeta popular Laudelin, que lhe dá a forma de uma cantiga. Numa festa, Pedro Orósio, bêbado, ouve e canta a música. Nesse momento decifra a mensagem. Avisado a tempo, Orósio se salva da emboscada e castiga os seus traidores. Inicialmente intuitiva e enigmática, a linguagem se articula e, através da arte, torna-se código e cumpre sua função vital.

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