Antônio Francisco - um poeta imortal

Antônio Francisco - um poeta imortal

"A lua entrava na casa da gente,
Batia com força nas quatro paredes.
Seus cacos caíam debaixo das redes
Pintando na sala um céu diferente."
(Antônio Francisco)


"No início, era simplesmente o menino Antônio Francisco. Com os primeiros versos, o reconhecimento do que era fato: Antônio Francisco, O Patativa da Lagoa do Mato".

Antônio Francisco Teixeira de Melo, graças a Deus, fez-se poeta. Aprendiz dos grandes mestres do cordel nordestino, apreciador da riqueza cultural de nosso povo. Quando menino foi mastigando estrofes até que, um dia, brotou-lhe poemas dos lábios-criança. Poeta com "pê" maiúsculo, disto não resta a menor dúvida. A tese se sustenta pelo colorido das suas metáforas, pela riqueza de sua métrica, e pela singular habilidade de transmitir valores de uma forma risonha e forte.

"Em pouco tempo, com suas estrofes a correr as ruas da cidade, o chamado era um só: Antônio Francisco, O Patativa de Mossoró".
O filho da Lagoa do Mato foi elevado à condição de maior vate da poesia mossoroense. Ganhou tal galardão, mas nunca renunciou ao manto da simplicidade e ao cetro de príncipe dos humildes. Como brasão: um sorriso em flor.

"Não demorou muito, surge um novo bordão. No Rio, metido num sorriso de janeiro e num fardão de poemas mil, um novo grito ecoa: Antônio Francisco, O Patativa do Brasil".

Ao lançar dois livros - Dez cordéis num cordel só e Por motivos de versos -, ninguém mais segurou tanta rima. De norte a sul, de leste a oeste, onde houvesse quem gostasse de poesia, lá estava o encanto da poética de Antônio Francisco. A alcunha de novo Patativa já lhe haviam atribuído. Quando, certo dia, chegou o comunicado: Antônio Francisco, de fato e de direito, ocuparia a cadeira de Patativa do Assaré, no Rio de Janeiro. A festa explodiu na terra e no reino celeste dos imortais cantadores.

Imortal da Academia Brasileira de Literatura de Cordel! Desculpem-nos a pouca modéstia, mas, com tal gesto, ganha mais os acadêmicos do que o próprio poeta. Pois Antônio foi e voltou do mesmo jeito, costurando versos, armando feitos, emendando prosa com poesia, tornando a vida mais leve com uma dor a menos no peito. Ele estava até com saudades, vejam só: do pirão de casa, do calor de nossa terra, e dos amigos de Mossoró.

A sua poesia, que pela excelsa qualidade, já havia se tornado imortal, agora é filha de um cabra, simples e direito, que já deu um nó na Indesejada e ficará para sempre por aqui, quebrando todas as regras, pois o poeta da Lagoa do Mato é Imortal, por cima de pau e pedra.

Antônio Francisco, por motivos de versos, é um exemplo vivo do homem, não nos esqueçamos de afirmar em dez cordéis num cordel só, que soube se fazer, cada vez mais, Gente mais Gente. Palmas para o poeta imortal, minha gente!

PALAVRAS MOBILIZADORAS

Antônio Francisco

Meu Sonho
Cansado de ler jornais,
Fui me deitar descontente.
Pensando em tudo que li,
Adormeci lentamente
E sonhei que eu acordava
Num planeta diferente.

Era um planeta coberto
De plantas de todas as cores,
As lagoas orquestradas
Por marrecos cantadores
E as abelhas bailando
Por entre as pétalas das flores.

Búfalos, zebras, elefantes,
Ali bem perto pastando...
Alces, gazelas, girafas,
Pela relva saltitando
E na linha do horizonte
Os dinossauros passando.


*Estrofes extraídas do poema Meu Sonho, de Antônio Francisco.

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